São tantas peculiaridades, tantos elementos artesanais, criativos, tanta sabedoria para fazer uso de uma vasta riqueza de tecidos e aviamentos, tantas combinações de cores e texturas, que tamanha interdisciplinaridade não poderia dar outro resultado.
São grifes com projeção nacional de vestuário, artesanato, couro e calçado, que fizeram com que o jeito mineirinho de se inventar moda se destacasse no país, como um segmento do turismo de negócios e eventos bastante expressivo.
Mas tanto sucesso não é algo recente, fruto de um trabalho sem raízes. Minas Gerais tem uma história tão intrínseca com a moda, que por essa e muitas outras razões, é considerado o estado com mais antigo envolvimento com a área têxtil. Muito mais ligada a esse ramo do que os outros estados, Minas iniciou sua saga através da necessidade dos escravos em possuir vestimentas simples e ao mesmo tempo confortáveis, fazendo uso de elementos arcaicos e muito diferentes das que os alfaiates confeccionavam para seus senhores. Com o tempo, surgiu a indústria têxtil, que deu origem a uma série de tendências que têm inspirado estilistas até hoje.
Além disso, a moda mineira é um forte pólo que está fora do eixo Rio - São Paulo e é conhecida por possuir um fino acabamento, que contribui para que outros lugares do país e do mundo se inspirem. Em Belo Horizonte, segundo Ronaldo Fraga (estilista mineiro atua desde 1997, possuidor de duas lojas próprias - no Rio e em São Paulo - e mais de 30 pontos de venda espalhados pelo país, merecendo destaque no cenário de moda), existe um movimento efervescente na música, artes plásticas e teatro que dá sustentação e influencia o mundo da moda, gerando bons resultados e ótimas parcerias.
De acordo com estimativas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e com o Sindicato dos Vestuários de Minas Gerais (Sindvest), o setor de vestuário responde por 40% do setor, e a indústria da moda mineira cresce aceleradamente, tornando o estado mineiro cada vez mais valorizado nas linhas de produção e criação do Brasil.
Por Natalia Souza Neves.